Senado nega prazo e acelera impeachment do presidente Santiago Peña

Com 39 votos contrários ao pedido de prorrogação, Casa exige presença imediata do mandatário.

Publicado em 6 de novembro de 2026 às 12:35

Senado nega prazo e acelera impeachment do presidente Santiago Peña
Senado nega prazo e acelera impeachment do presidente Santiago Peña Crédito: Reprodução/Instagram/@santipenapy

O cenário político no Paraguai atingiu seu nível máximo de tensão na manhã desta sexta-feira (6). Por 39 votos a 5, o Senado paraguaio rejeitou o pedido do presidente Santiago Peña para adiar por 72 horas a sessão de julgamento de seu impeachment. Com a decisão, o plenário deu um prazo de meia hora para que o chefe de Estado compareça pessoalmente à Casa para apresentar sua defesa.

A movimentação ocorre poucas horas após a Câmara dos Deputados aprovar por unanimidade a remoção do presidente. Peña argumentava ter sido notificado apenas no fim da noite de quinta-feira (5), alegando que o intervalo de menos de 12 horas para analisar um dossier de mais de 300 páginas feria os princípios do amplo direito de defesa. Diante do cerco legislativo, Peña chegou a protocolar sua renúncia ao cargo, mas a votação do pedido no Congresso acabou travada por falta de quórum provocada por aliados governistas.

O colapso do "Banco Master paraguaio"

O estopim para a ruína política de Santiago Peña foi a falência e liquidação extrajudicial do Ueno Bank pelo Banco Central do Paraguai, decretada na última terça-feira (3). A instituição financeira, pertencente ao Grupo Vázquez do qual o presidente foi acionista até março do ano passado, teve as atividades suspensas por graves problemas de solvência e empréstimos irregulares a empresas ligadas aos próprios controladores.

O fechamento atingiu em cheio cerca de 3 milhões de cidadãos, congelando perto de US$ 850 milhões em depósitos (cerca de R$ 4,6 bilhões), incluindo fundos milionários do Instituto de Previdência Social. A oposição acusa o presidente de conflito de interesses, desvio de recursos públicos e omissão regulatória. Embora Peña tenha promulgado uma lei emergencial para ressarcir poupadores e afirmado que os responsáveis responderão na Justiça, a reação política no Congresso foi devastadora.

Vice-presidente se articula para assumir o poder

Enquanto o processo contra o presidente avança no Senado, a Câmara dos Deputados barrou, por 48 votos a 30, o pedido de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana.

Com a decisão, Alliana, de 52 anos, consolida sua posição para assumir o comando do Poder Executivo em caso de destituição de Peña. Homem forte do Partido Colorado legenda tradicional do país, o vice-presidente acumula bagagem como ex-governador, ex-presidente da Câmara dos Deputados e ex-presidente da sigla governista.