Publicado em 1 de julho de 2026 às 16:03
O número de vítimas fatais em decorrência dos terremotos que atingiram a Venezuela subiu para 2.295 nesta quarta-feira (1), de acordo com dados atualizados pelo governo. O novo balanço aponta ainda mais de 11 mil feridos, embora especialistas alertem que os números oficiais podem representar uma subnotificação significativa, já que novos corpos são retirados dos escombros diariamente e os necrotérios enfrentam dificuldades logísticas.>
As autoridades confirmaram que o número de resgates oficiais caiu drasticamente nos últimos dias. Enquanto 5.380 pessoas foram salvas nas primeiras 48 horas após os tremores, apenas quatro sobreviventes foram localizados pelas equipes governamentais na última segunda-feira (29).>
Apesar de o período crucial de 72 horas para encontrar vida já ter expirado, uma criança foi resgatada com vida na terça-feira (30) após passar seis dias sob um prédio desabado. Grupos de voluntários continuam se mobilizando de forma independente para tentar salvar familiares presos.>
O sistema de saúde venezuelano, já debilitado por anos de crise, está sob "extrema pressão", com 38 hospitais danificados ou comprometidos, sendo que três deles pararam de funcionar totalmente. A falta de médicos e enfermeiros, muitos dos quais estão desaparecidos sob os escombros ou fugiram do país em anos anteriores, agrava os atrasos em cirurgias e o atendimento a traumas.>
Além dos feridos, as agências internacionais temem surtos de doenças evitáveis. Milhares de desabrigados dormem ao relento ou em abrigos insalubres sem acesso a saneamento básico, o que cria condições propícias para a disseminação de dengue, febre-amarela, malária e sarampo.>
Enquanto o governo mantém silêncio sobre o total de desaparecidos, bancos de dados digitais alimentados por cidadãos e ONGs já listam pelo menos 43.220 pessoas com paradeiro desconhecido.>
A NASA estima que quase 59 mil edifícios tenham sido danificados ou destruídos, gerando cerca de 1,2 milhão de toneladas de entulho. Organizações como a Cruz Vermelha e o Programa Alimentar Mundial montaram tendas em áreas críticas, como La Guaira, para distribuir alimentos e itens de higiene básica à população afetada.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>