Publicado em 17 de fevereiro de 2026 às 21:19
O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, informou nesta terça-feira (17), que a Santa Sé não participará do Conselho da Paz, iniciativa elabora e lançada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para mediar conflitos internacionais e promover a reconstrução da Faixa de Gaza.>
Em declarações à imprensa após reunião com o presidente italiano Sergio Mattarella e a primeira-ministra Giorgia Meloni, Parolin justificou a recusa pelo perfil do Vaticano, a “natureza particular” da Santa Sé, que é difere de outros Estados. “O Vaticano não integrará o órgão devido à sua natureza particular, que obviamente não é a dos outros Estados”, declarou o cardeal, destacando que a Santa Sé não atua como ator estatal convencional e prioriza autoridade moral e mediação diplomática.>
Parolin reforçou o apoio da Igreja ao multilateralismo e ao papel central da Organização das Nações Unidas (ONU) na gestão de crises internacionais. “O entendimento do Vaticano é que cabe à ONU gerir as situações de crise”, pontuou a autoridade, em uma defesa implícita da legitimidade do sistema multilateral frente à nova estrutura presidida pelos EUA.>
Contexto da iniciativa de Trump>
O Conselho da Paz foi lançado oficialmente por Trump em janeiro de 2026, com convite a dezenas de países, incluindo Brasil, Itália, França e Alemanha, para integrar o grupo. Pelo menos 19 nações endossaram a carta de criação. A proposta prevê que membros invistam cerca de US$ 5 bilhões em ações de “estabilização” e reconstrução em Gaza, com os EUA exercendo a presidência.>
A comunidade internacional interpreta a criação do conselho como uma tentativa de Trump de contornar ou esvaziar a atuação da ONU em mediações de conflitos, especialmente no Oriente Médio, em meio a tensões geopolíticas e críticas ao multilateralismo.>
Países como Itália, que participa como observadora, França e Alemanha rejeitaram adesão plena. O Brasil ainda não respondeu ao convite.>
A decisão final de recusa do Vaticano marca uma posição clara da Santa Sé em favor do sistema de Nações Unidas, alinhada à tradição diplomática vaticana de promover paz por vias multilaterais e neutras.>
Com informações do portal Metrópoles>