Vídeo registra fuga desesperada de operários de onda gigante de água e detritos na fronteira Nepal-Tibete

Tragédia deixa mais de 150 mortos

Publicado em 26 de agosto de 2026 às 22:58

(Início da tragédia no Nepal) 
(Início da tragédia no Nepal)  Crédito: Redes Sociais/Instagram 

Um vídeo gravado por um trabalhador capturou o momento exato em que um grupo de operários precisou correr a pé para escapar de uma onda gigante de água, lama e detritos na fronteira entre o Nepal e o Tibete. O fenômeno ocorreu na manhã desta quarta-feira (26) e já deixou pelo menos 157 mortos confirmados, segundo a polícia nepalesa, além de centenas de desaparecidos, entre eles dezenas de turistas estrangeiros. Nas redes sociais, o autor das imagens compartilhou que foi resgatado horas depois por um helicóptero.

As imagens, que circulam amplamente, mostram homens em uniformes de trabalho abandonando o local em disparada enquanto uma parede de água barrenta e rochas avança pelo vale. A força da correnteza arrasta árvores, veículos e estruturas em segundos. O vídeo, gravado em área próxima a projetos de infraestrutura e hidrelétricas no distrito de Rasuwa (norte do Nepal), ilustra a violência da enchente relâmpago que atingiu vilarejos dos dois lados da fronteira himalaia.

O que se sabe sobre o desastre

Autoridades nepalesas e chinesas confirmam que uma avalanche de gelo, rocha e detritos — possivelmente desencadeada pelo colapso parcial de uma geleira ou por um deslizamento de terra — obstruiu temporariamente o rio Lhende Khola (afluente do Bhote Koshi/Trishuli). A água acumulada se rompeu de forma súbita, liberando uma onda de lama e sedimentos que desceu o vale em alta velocidade.

Imagens de satélite da Planet Labs e análises preliminares indicam que o material se desprendeu a cerca de 20 km a nordeste do posto fronteiriço de Rasuwagadhi. O nível do rio subiu até nove metros em apenas 30 minutos em alguns trechos. Há relatos de um tremor de magnitude 4,4 registrado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) pouco antes, embora análises posteriores indiquem que parte da energia sísmica possa ter sido gerada pelo próprio deslizamento.

No lado nepalês, as áreas mais afetadas incluem Syabrubesi, Timure e vilas às margens do rio Trishuli, nos distritos de Rasuwa, Nuwakot e Dhading. Casas, pontes, estradas e usinas hidrelétricas foram destruídas ou severamente danificadas. Do lado tibetano (China), o porto fronteiriço de Gyirong foi engolido pela onda de lama, com imagens de câmeras de segurança mostrando dezenas de pessoas correndo antes de prédios e veículos serem arrastados.

Balanço de vítimas e resgates

Até o final desta quarta-feira, a polícia nepalesa havia recuperado cerca de 157 corpos. Autoridades chinesas confirmam pelo menos três mortes e centenas de desaparecidos em Gyirong. O Conselho de Turismo do Nepal estima mais de 400 viajantes desaparecidos, incluindo centenas de estrangeiros (indianos, americanos, britânicos, entre outros). Muitos estavam em roteiros de trekking ou peregrinação.

Helicópteros militares e civis sobrevoaram a região o dia inteiro. O Exército nepalês mobilizou milhares de militares e resgatou dezenas de sobreviventes, inclusive o trabalhador que gravou o vídeo. Em depoimento nas redes, ele relatou que ficou preso por horas até ser içado. Outros sobreviventes descreveram cenas de pânico: famílias arrastadas pela correnteza, pessoas se agarrando a árvores e casas inteiras desaparecendo em segundos.

Autoridades monitoram o risco de uma segunda onda, já que parte do material ainda forma uma barragem natural a montante. Alertas de enchente foram emitidos também para estados do norte da Índia, como Bihar e Uttar Pradesh, por onde os rios descem das montanhas.