Flávio Bolsonaro garante vaga em audiência de Washington para tentar barrar tarifas ao Brasil

Caso vira combustível eleitoral a cinco meses da disputa presidencial.

Publicado em 23 de junho de 2026 às 11:53

Flávio Bolsonaro garante vaga em audiência de Washington para tentar barrar tarifas ao Brasil
Flávio Bolsonaro garante vaga em audiência de Washington para tentar barrar tarifas ao Brasil Crédito: Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro

Uma disputa comercial de bilhões de dólares entre o Brasil e os Estados Unidos transformou-se no mais novo e explosivo capítulo da corrida presidencial brasileira de 2026. No último dia do prazo, segunda-feira (22), o senador Flávio Bolsonaro garantiu sua inscrição para falar presencialmente na audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR.

Marcado para o dia 6 de julho em Washington, o evento discutirá uma proposta drástica da gestão de Donald Trump: a aplicação de uma alíquota de 25% sobre a maioria dos produtos exportados pelo Brasil. Como pré-candidato ao Planalto e membro da oposição, Flávio usará seus cinco minutos de discurso para tentar barrar a medida, defendendo uma saída negociada.

A origem do conflito está na chamada Investigação da Seção 301, concluída pelo órgão americano em 1º de junho após quase um ano de análises. O relatório final acusa o mercado brasileiro de adotar barreiras "desleais" e aponta problemas em seis áreas críticas: a proteção do Pix (visto por Washington como exclusão de cartões americanos), tarifas injustas, falhas em leis anticorrupção, falta de proteção à propriedade intelectual, barreiras ao etanol dos EUA e os índices de desmatamento ilegal.

A resposta imediata sugerida pelo USTR foi a punição tarifária. Nos bastidores, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reage com indignação e acusa a família Bolsonaro de ter articulado e incentivado a investigação desde o ano passado para minar a economia nacional e gerar ganho eleitoral.

A temperatura política subiu de forma drástica no Brasil. Lula subiu o tom publicamente e chamou o senador de "traidor da pátria", alegando que a oposição atua contra as empresas nacionais. Já os aliados da família Bolsonaro enxergam o movimento de Flávio como uma blindagem ao setor produtivo. O parlamentar, que já havia se reunido em maio com o próprio Trump, com o vice JD Vance e com o secretário de Estado Marco Rubio, rebate as críticas e afirma que pediu pessoalmente ao líder americano que não penalize os exportadores.

Nos documentos enviados ao USTR, Flávio argumenta que sobretaxar o Brasil não corrige as falhas apontadas, mas pune consumidores americanos e destrói o comércio bilateral, propondo em troca um comitê de conciliação para resolver as pendências ponto a ponto.

Enquanto a oposição adota uma postura de confronto direto nos tribunais americanos, o Palácio do Planalto escolheu o silêncio na audiência pública e não inscreveu nenhum representante oficial do Itamaraty. A estratégia de Lula é ignorar o palanque da consulta externa e centralizar as conversas apenas por canais diplomáticos reservados entre governos, sustentando que o Brasil mantém um comércio equilibrado e que as taxas são injustificáveis.

Com o prazo para manifestações por escrito terminando em 1º de julho e a audiência presencial batendo à porta, o cenário internacional virou o principal ringue de uma eleição que promete dividir o país até outubro.