Lula barra entrada de assessor de Trump no Brasil após bloqueio de visto de Padilha

Presidente afirma que decisão é resposta à restrição imposta pelos EUA ao ministro da Saúde e à família dele.

Publicado em 13 de março de 2026 às 12:43

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva Crédito: Foto: Ricardo Stuckert - PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira (13) que o assessor do governo de Donald Trump, Darren Beattie, está impedido de entrar no Brasil. A medida, segundo Lula, foi adotada como reação ao bloqueio do visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e de familiares dele pelos Estados Unidos.

A declaração foi feita durante a inauguração do setor de trauma do Hospital Federal do Andaraí, no Rio de Janeiro, evento que contou também com a presença do prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes, e do próprio Padilha.

De acordo com Lula, a proibição permanecerá enquanto a restrição imposta ao ministro brasileiro não for revertida. O presidente afirmou que a decisão representa uma forma de proteger Padilha após o bloqueio atingir não apenas o ministro, mas também a esposa e a filha de 10 anos.

Nos bastidores diplomáticos, o episódio ganhou novos desdobramentos um dia antes. Na quinta-feira (12), o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, reviu uma decisão que permitia a visita de Beattie ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A mudança ocorreu depois que o Itamaraty informou que o assessor norte-americano não tinha compromissos diplomáticos oficiais no país e o visto concedido a ele se referia apenas a uma agenda privada.

Darren Beattie é um escritor de perfil conservador com formação em ciência política. Durante o primeiro mandato de Donald Trump na Casa Branca, integrou a equipe responsável pela redação de discursos do então presidente. Desde fevereiro deste ano, passou a atuar diretamente na formulação da política do Departamento de Estado para o Brasil, embora já influenciasse decisões relacionadas ao país desde o início do novo governo republicano, em janeiro de 2025.

Nos Estados Unidos, Beattie também participa de debates dentro da administração Trump sobre a possibilidade de aplicar novamente sanções ao ministro do STF Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky, instrumento utilizado pelo governo norte-americano para punir autoridades estrangeiras acusadas de violações graves de direitos ou corrupção.