Microfone aberto flagra Alcolumbre após aprovação da escala 6x1: “Não falei que ia dar certo?”

Presidente do Senado respondeu a elogio do líder do PT após PEC receber 75 votos favoráveis no primeiro turno.

Publicado em 15 de outubro de 2026 às 19:25

Presidente do Senado Federal durante sessão de discussão e votação, em primeiro turno, da proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala 6x1.
Presidente do Senado Federal durante sessão de discussão e votação, em primeiro turno, da proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala 6x1. Crédito: Ton Molina/Agência Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foi flagrado com o microfone aberto nesta quarta-feira (14), após a aprovação, em primeiro turno, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. Durante uma conversa com o líder do PT na Casa, Camilo Santana, o senador respondeu: “Não falei que ia dar certo?”. O diálogo foi registrado pela transmissão da TV Senado.

A PEC recebeu 75 votos favoráveis e um contrário no primeiro turno. O único voto contra foi do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Para ser aprovada em cada turno no Senado, uma proposta de emenda à Constituição precisa do apoio de pelo menos 49 dos 81 senadores.

A aprovação ocorreu após uma semana de articulações em torno do calendário de votação. Alcolumbre anunciou que a proposta seria analisada nesta quarta-feira e, posteriormente, confirmou a existência de assinaturas suficientes para um calendário especial, apresentado pela bancada do governo Lula. A medida permitiu dispensar o intervalo previsto entre as duas votações.

O texto prevê a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, além da garantia de dois dias de descanso remunerado por semana. A mudança seria implementada gradualmente, com a jornada passando para 42 horas semanais 60 dias após a promulgação e chegando a 40 horas um ano depois.

A proposta também recebeu apoio de parlamentares da oposição, incluindo integrantes do PL. O voto favorável de diferentes bancadas, no entanto, não comprova, por si só, a existência de um acordo para beneficiar politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Como o texto aprovado pelo Senado é o mesmo que passou pela Câmara dos Deputados em maio, a aprovação nos dois turnos permite que a PEC siga para promulgação pelo Congresso Nacional, sem necessidade de sanção presidencial, desde que não haja alterações no conteúdo.