Oposição vai à PGR contra desfile com ala sobre evangélicos

Os componentes usavam adereços que faziam referência ao agronegócio, a uma mulher da alta sociedade, a defensores da ditadura militar e a evangélicos.

Publicado em 16 de fevereiro de 2026 às 17:48

Senador Magno Malta
Senador Magno Malta Crédito: Agência Senado

A oposição acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta segunda-feira (16) contra a escola de samba Acadêmicos de Niterói por causa de uma ala do desfile que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e retratou evangélicos em fantasias de “latas de conserva”.

A agremiação abriu a primeira noite do Grupo Especial no Rio de Janeiro e apresentou a ala intitulada “Neoconservadores em conserva”. A fantasia representava uma família tradicional — homem, mulher e filhos — dentro de uma lata. Os componentes usavam adereços que faziam referência ao agronegócio, a uma mulher da alta sociedade, a defensores da ditadura militar e a evangélicos.

Os autores das notícias-crime são o senador Magno Malta (PL-ES) e o deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS). Nos pedidos, os parlamentares afirmam que houve ridicularização pública de um grupo religioso em apresentação transmitida em rede nacional e internacional. Para eles, a encenação extrapolou os limites da liberdade artística e pode configurar crime.

Magno Malta sustenta que o episódio se enquadra como discriminação religiosa, com base no artigo 20 da Lei 7.716/1989. Segundo o senador, a representação equiparou visualmente fiéis a objetos enlatados, expondo evangélicos ao escárnio coletivo. Ele pede a abertura de investigação criminal e a responsabilização dos envolvidos.

Já Rodolfo Nogueira aponta possível violação do artigo 208 do Código Penal, que trata do escarnecimento público por motivo de crença religiosa. O deputado argumenta que um dos personagens identificados como evangélico aparecia dentro da alegoria portando uma Bíblia, o que, na avaliação dele, reforçaria o caráter vexatório da cena. Ele solicita a obtenção das gravações oficiais do desfile e a identificação dos responsáveis pela concepção do enredo.

Representação no TSE

Além da manifestação à PGR, Magno Malta também protocolou representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O senador alega que o desfile teve conteúdo de caráter político-eleitoral.

Entre os pontos citados estão uma alegoria que retratou o ex-presidente Jair Bolsonaro como presidiário, a representação considerada depreciativa de evangélicos e a exaltação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao longo da apresentação.

Para o parlamentar, o espetáculo ultrapassou o campo artístico, especialmente por ocorrer em evento com financiamento público. Ele pede que a Corte Eleitoral apure possível propaganda antecipada, uso indevido de recursos estatais e eventual abuso de poder.

Com informações da CNN