Publicado em 30 de agosto de 2025 às 16:27
Neste sábado (30) a Ilha de Algodoal, em Maracanã, no nordeste paraense, recebeu representantes do Ministério do Turismo, da Fundação Parque Tecnológico Itaipu-Brasil e lideranças locais para debater alternativas de mobilidade e desenvolvimento comunitário.>
A ACVA – Associação dos Carroceiros da Vila de Algodoal, presidida por Ailton Cézar Pinheiro, reúne atualmente 59 associados e 61 cavalos, responsáveis pelo transporte de turistas, cargas e moradores. A realidade da ilha, onde há mais animais do que pessoas, evidencia a urgência de discutir soluções que conciliem bem-estar animal, preservação ambiental e qualidade de vida para a comunidade.>
Um dos principais pontos levantados é que a situação atual impede Algodoal de conquistar a certificação internacional Bandeira Azul, selo que reconhece a qualidade ambiental e que poderia alavancar o turismo da região.>
Reconhecimento profissional e Cadastur>
Durante a reunião, foi destacada a importância do cadastro dos carroceiros no Cadastur, sistema oficial do Ministério do Turismo que reconhece prestadores de serviços turísticos em todo o país. A medida garante maior visibilidade, acesso a políticas públicas e inclusão social dos trabalhadores da ilha.>
Declarações das autoridades>
• Ana Carla Machado Lopes, secretária-executiva do Ministério do Turismo: “Estamos trazendo um projeto piloto para substituir os veículos de tração animal por veículos elétricos em Algodoal. Queremos construir essa iniciativa em conjunto com a comunidade e com a Associação de Carroceiros. A COP 30 é uma oportunidade única para potencializar o turismo local, valorizar o que já está dando certo, corrigir os pontos de atenção e criar novas alternativas para melhorar a experiência de turistas e moradores. Também vamos investir em cursos de qualificação, como formações bilíngues, e fortalecer o sentimento de pertencimento da população à ilha. Além disso, o ministro Celso Sabino ressaltou a importância da nova lei que garante ao pescador rural o direito de se cadastrar no Cadastur sem perder seus benefícios sociais, o que amplia a inclusão de canoeiros e pescadores no turismo e fortalece ainda mais a economia do Pará.”>
• Wagner, coordenador de Mobilidade do Ministério do Turismo: “É fundamental ouvir a comunidade. Realizamos uma pesquisa que apontou a necessidade de novas alternativas de transporte. Embora existam restrições quanto a veículos motorizados na ilha, os veículos elétricos não poluentes não entram na proibição federal. Qualquer implementação, no entanto, deve ser discutida com o Conselho Gestor local. Também será necessário avaliar a capacidade elétrica da ilha para viabilizar investimentos em placas solares.”>
• Yuri Benites, diretor de Turismo da Fundação Parque Tecnológico Itaipu-Brasil: “O veículo elétrico é silencioso e sustentável, preservando a tranquilidade de Algodoal. Além disso, para chegar à ilha é preciso passar por Marudá e seguir de barco, o que reforça a importância de pensarmos em soluções integradas de mobilidade.”>
Voz da comunidade>
Carlos André Teixeira de Lima, 46 anos, nativo da Ilha de Algodoal, pescador, condutor de visitantes e sobrinho do Mestre Chico Braga:>
“Hoje eu trabalho como condutor de visitantes, mas também sou pescador. Desde 1990, quando Algodoal se tornou uma Área de Proteção Ambiental, o turismo começou a crescer e nossa comunidade foi se adaptando. O pescador virou canoeiro, barqueiro, carroceiro, dono de restaurante… tudo isso foi transformando a ilha. Agora, com esse projeto dos veículos elétricos, acreditamos que vai melhorar ainda mais, tanto para o transporte de mercadorias, como areia, cimento e tijolo, quanto para o turismo. É muito importante, porque precisamos de meios que não agridam a natureza, que funcionem com energia limpa e que respeitem nosso território, já que Algodoal é uma APA. A modernização vai trazer mais qualidade de vida para a comunidade e também para quem nos visita.”>
Curiosidade sobre Algodoal>
O nome oficial da ilha é Maiandeua, que em tupi significa “Mãe da Terra”. Localizada no litoral nordeste do Pará, a região é popularmente conhecida como Ilha de Algodoal, devido à abundância da planta algodão-de-seda. Em julho, a ilha chega a receber mais de 20 mil visitantes, número que reforça seu potencial como destino estratégico da Amazônia.>