Publicado em 15 de outubro de 2026 às 14:19
A Amazônia registrou em 2025 o menor patamar de desmatamento dos últimos 41 anos, acumulando uma área devastada de 693 mil hectares. O levantamento integra a Coleção 11 do MapBiomas, iniciativa que mapeou as transformações na cobertura vegetal e no uso do solo brasileiro entre 1985 e 2025.>
A maior parcela da destruição identificada no último ano atingiu áreas intocadas: 639 mil hectares de desmatamento incidiram sobre vegetação primária. Outros 54 mil hectares atingiram vegetação secundária, caracterizada por ecossistemas que já haviam sofrido intervenção prévia, mas mantinham potencial de regeneração natural.>
O balanço histórico acumulado de quatro décadas evidencia a dimensão das perdas:>
- Entre 1985 e 2025, o bioma perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa.>
- Somada a degradação recente às intervenções ocorridas antes de 1985, a Amazônia totaliza 74,6 milhões de hectares de áreas antropizadas.>
- O ecossistema mais impactado foi a formação florestal, com uma retração de 49,7 milhões de hectares (queda de 14,8%).>
Apesar da desaceleração da taxa anual, os dados alertam para a pressão do agronegócio nas zonas de amortecimento e vizinhanças de Unidades de Conservação, Terras Indígenas e territórios quilombolas. Nesses perímetros limítrofes, a agropecuária já ocupa 30,5% da área.>
A expansão de rodovias e ramais também intensifica o risco a bolsões florestais onde a vegetação nativa ainda cobre 98% do território. O cruzamento espacial comprovou que as faixas mais próximas às estradas concentram a maior densidade de ocupação rural.>
Ao final de 2025, as atividades agropecuárias ocupavam 15,5% de toda a Amazônia (65,3 milhões de hectares):>
- Pastagens para pecuária: correspondem a 50,8 milhões de hectares (12% do bioma);>
- Agricultura: responde por 8,6 milhões de hectares (2% do território amazônico).>
O estudo ressaltou a expansão acelerada da atividade mineral, que ocupou 440 mil hectares em 2025. Em 1985, no início da série histórica, o setor correspondia a apenas 32 mil hectares, o que representa um crescimento de 14 vezes em 41 anos.>
Para consolidar as análises, os pesquisadores do MapBiomas cruzaram as imagens de satélite com dados de estradas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e da plataforma colaborativa OpenStreetMap.>
Ao todo, foram mapeados 618 mil quilômetros de vias, englobando estradas federais e estaduais oficiais bem como acessos vicinais não registrados.>