Publicado em 29 de agosto de 2025 às 15:26
A COP30, que será realizada em Belém em 2025, começa a ganhar contornos mais claros: será a conferência da implementação — e, principalmente, do financiamento climático. A afirmação é de Ana Toni, diretora executiva da COP30, que participou nesta quinta-feira (28) da Rio Climate Week, em um evento que marcou os dois anos do Plano de Transformação Ecológica, também chamado de Pacto de Transformação Ecológica.>
O plano, que já conta com a assinatura dos chefes dos três poderes, é visto como um manual para colocar em prática os compromissos climáticos que o Brasil assumiu no cenário internacional. Mais do que metas no papel, a ideia é mostrar resultados concretos. “O que mais me motiva na COP30 é sair dos grandes números e mostrar caminhos reais, como mercado de carbono, fundos de preservação ambiental e investimento sustentável”, explicou Ana Toni.>
Do Brasil para o mundo>
Segundo a diretora, o modelo de integração entre ministérios no Brasil tem chamado a atenção lá fora. Recentemente, em reunião no México, ela disse ter recebido elogios por esse esforço conjunto entre Meio Ambiente, Fazenda e Relações Exteriores. Essa articulação foi considerada decisiva para o avanço de propostas como o Círculo de Finanças da COP30, grupo que está desenhando instrumentos práticos para viabilizar o financiamento climático de países em desenvolvimento.>
O peso do dinheiro verde>
Um dos resultados mais aguardados é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), que deve ser lançado oficialmente durante a COP30. A proposta é simples e ambiciosa: remunerar anualmente os países que preservarem suas florestas. O potencial é gigantesco — proteger até 1 bilhão de hectares em mais de 70 países e mobilizar até 125 bilhões de dólares.>
Outra iniciativa em andamento é a Coalizão Aberta para Mercados de Carbono Regulados, que pretende criar uma aliança internacional para integrar sistemas de precificação de carbono e estabelecer padrões comuns de comercialização entre países.>
De Belém para o planeta>
Essas entregas fazem parte do Mapa do Caminho de Baku a Belém, documento que está em construção e deve ser um dos principais guias da conferência. O objetivo é direcionar o fluxo dos 1,3 trilhão de dólares prometidos ao financiamento climático dos países em desenvolvimento.>
Se depender do tom da organização, a COP30 quer ser lembrada não apenas pelas negociações diplomáticas, mas por apresentar saídas práticas para transformar compromissos em realidade — e, sobretudo, garantir que o financiamento climático saia do discurso e chegue onde precisa.>