Programa de Pesquisas investiga como a Amazônia responde às mudanças climáticas ao longo do tempo

Com 28 anos de atuação, o programa criado pelo CNPq reúne pesquisadores de todo o país e tem na Amazônia uma de suas frentes estratégicas

Publicado em 4 de maio de 2026 às 16:56

Programa de Pesquisas investiga como a Amazônia responde às mudanças climáticas ao longo do tempo
Programa de Pesquisas investiga como a Amazônia responde às mudanças climáticas ao longo do tempo Crédito: Divulgação. 

Como a maior floresta tropical do planeta está reagindo às mudanças ambientais e climáticas? A resposta passa por décadas de monitoramento contínuo — e será tema importante do encontro nacional do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD), que acontece entre os dias 4 e 7 de maio, em Brasília.

Com 28 anos de atuação, o programa criado pelo CNPq reúne pesquisadores de todo o país e tem na Amazônia uma de suas frentes estratégicas. Sítios de pesquisa distribuídos em diferentes regiões do bioma vêm produzindo dados essenciais para compreender como os ecossistemas respondem a pressões ambientais em distintas escalas de tempo.

Entre os destaques estão um conjunto de sítios de pesquisa ( PSAM, DIVA, FORR, PELD, MAUÁ, MIAG, IAFA, POPA, RAS, AMOR, FNC, RAS, CRAM, GUPE e ECOA), que investigam processos como dinâmica da biodiversidade, funcionamento dos ecossistemas, impactos de eventos extremos, além das interações entre clima, floresta e atividades humanas.

Os dados acumulados ao longo dos anos permitem identificar padrões que não seriam visíveis em estudos de curto prazo — como mudanças graduais na estrutura da floresta, alterações nos ciclos ecológicos e respostas a eventos climáticos intensos. Essas informações são fundamentais para antecipar cenários e orientar estratégias de conservação e políticas públicas.

Durante a reunião em Brasília, os pesquisadores participam também de um café científico aberto ao público. O encontro propõe aproximar ciência e sociedade, ampliando o debate sobre os desafios ambientais contemporâneos e o papel da Amazônia nessas questões.

Ao integrar diferentes áreas e territórios, o PELD consolida a importância da ciência de longo prazo para compreender transformações complexas e apoiar respostas mais eficazes diante das mudanças ambientais em curso.

Sobre o PELD 

Concebido há 28 anos no âmago das reflexões da comunidade científica durante a década de 1990, e executado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o programa concede apoio ininterrupto a uma rede de sítios de pesquisas. São mais de R$ 60 milhões em investimentos federais de 1999 a 2025.

Nos primeiros anos de existência, o Peld assumiu objetivos iniciais como o fomento da infraestrutura para implementação e manutenção de uma rede de sítios de pesquisa. Mas a trajetória descortinou um programa que ajudou a construir uma cultura de pesquisa ecológica de longo prazo, com desafios logísticos, políticos e de financiamento. As questões abordadas pelo Peld atualmente são transdisciplinares, além do impacto nas políticas públicas, o que também é um desafio para a academia.

São muitas as ameaças acarretadas à natureza pelas atividades humanas: a mineração, a indústria, geração de energia, desertificação, colapso de recursos pesqueiros, segurança alimentar; uma lista que está no cerne do campo de estudo dos cientistas do Peld.

O solo e a zona litorânea brasileira contém uma biodiversidade rica, um campo a ser explorado pelos cientistas. O programa Peld supre esse objetivo. Apoia pesquisas voltadas para a investigação dos padrões de funcionamento dos ecossistemas, inclusive os que se deterioram por causa da ação humana. Por meio dele são formadas redes de informação em cooperação nacional e internacional, com a disponibilização permanente de bases de dados comum ao conjunto de sítios, à comunidade científica em geral e aos demais setores da sociedade. Uma dinâmica que incorpora crises emergentes, como as mudanças climáticas.

SERVIÇO

Encontro Nacional do PELD (04 a 07/05, no CNPq)

Atividade aberta: Café científico com pesquisadores

(06/05 - Bosque Park, às 18h30 - Brasília-DF)