Publicado em 20 de outubro de 2026 às 20:53
O governo brasileiro elevou o tom contra o presidente da Argentina, Javier Milei, após novas acusações contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e insinuações sobre uma possível fraude nas eleições brasileiras. Em nota divulgada nesta terça-feira (20), o Ministério das Relações Exteriores classificou as declarações como “inaceitáveis” e acusou o argentino de tentar interferir no processo democrático do Brasil.>
“As ofensas de hoje do presidente da República da Argentina ao Brasil, desta vez dirigidas ao Poder Judiciário e ao sistema de voto eletrônico, constituem nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”, afirmou o Itamaraty.>
A reação ocorreu depois que Milei publicou novas críticas a Lula nas redes sociais. O presidente argentino chamou o brasileiro de “esquerdista ladrão” e levantou suspeitas sobre a lisura do segundo turno, sem apresentar provas que sustentassem as acusações.>
Em uma das publicações, Milei afirmou esperar que o que chamou de “último truque sujo” do Partido dos Trabalhadores não envolvesse roubar a eleição.>
Itamaraty rebate acusações>
Na resposta oficial, a diplomacia brasileira acusou Milei de reproduzir informações falsas e de retomar alegações relacionadas aos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que contestaram o resultado eleitoral e participaram dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.>
“O presidente da República Argentina reitera mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições e protagonizaram o golpe militar fracassado, há quatro anos”, declarou o Ministério das Relações Exteriores.>
O governo brasileiro também defendeu a segurança do sistema eletrônico de votação e afirmou que sua confiabilidade é reconhecida por observadores eleitorais internacionais.>
Ataques a lula se intensificaram>
Os atritos entre Milei e Lula vêm se acumulando nos últimos meses. Em julho, durante um evento relacionado à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), o presidente argentino voltou a atacar o petista e o chamou de “presidiário”.>
Posteriormente, Milei também acusou Lula de investir US$ 1 bilhão na campanha de Sergio Massa, adversário do argentino nas eleições presidenciais de 2023. A acusação foi feita sem que, no relato apresentado, fossem fornecidas provas que a sustentassem.>
A nova troca de acusações amplia a tensão entre os governos brasileiro e argentino e leva o conflito político entre os dois presidentes para o campo diplomático. O episódio também coloca em evidência o debate sobre os limites da atuação de líderes estrangeiros diante dos processos eleitorais de outros países.>