Publicado em 6 de maio de 2026 às 18:32
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu uma apuração preliminar para questionar a legalidade da aposentadoria do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. O oficial, que é réu por feminicídio e fraude processual, foi transferido para a reserva com proventos integrais de R$ 21 mil mensais no início de abril, mesmo já estando preso preventivamente pela morte de sua ex-mulher, a soldado Gisele Alves Santana.>
A Promotoria do Patrimônio Público e Social deu um prazo de 15 dias para que a Secretaria da Segurança Pública e a Polícia Militar prestem esclarecimentos sobre a situação funcional do policial. O promotor responsável avalia que a manutenção dos pagamentos pode representar um prejuízo às finanças estaduais e uma possível violação à moralidade administrativa, conforme apontado em representação feita pelo deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL).>
Geraldo Neto está sendo submetido a um Conselho de Justificação, procedimento interno da PM que analisa se o oficial possui condições morais de permanecer na corporação. O colegiado pode sugerir a perda do posto e da patente por indignidade. Caso essa sanção seja confirmada pelo Tribunal de Justiça Militar (TJM-SP), o órgão tem competência para cassar os proventos da aposentadoria. No entanto, o desfecho financeiro é incerto.>
A soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no Brás, Centro de São Paulo. Embora a defesa do tenente-coronel alegue que a vítima cometeu suicídio após um pedido de divórcio, as investigações e laudos periciais indicam que o oficial segurou a cabeça da vítima no momento do disparo e alterou a cena do crime para enganar as autoridades.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>