O que já se sabe sobre a morte do cão Orelha na Praia Brava, em SC

O animal morreu após sofrer maus-tratos, e o caso é acompanhado pelo Ministério Público do estado.

Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 13:39

Cão orelha
Cão orelha Crédito: Reprodução 

A Polícia Civil de Santa Catarina investiga as agressões que levaram à morte do cão comunitário conhecido como Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis. O animal morreu após sofrer maus-tratos, e o caso é acompanhado pelo Ministério Público do estado.

Na manhã desta segunda-feira (26), a polícia realizou uma operação para avançar nas investigações. Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em endereços ligados a suspeitos de envolvimento no crime.

Adolescentes são investigados

Segundo a Polícia Civil, a principal linha de investigação aponta para a participação de adolescentes nas agressões contra o animal. Caso a autoria seja confirmada, o relatório será encaminhado à Delegacia Especializada no Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei, por se tratar de menores de idade.

Além do caso de Orelha, a polícia também apura um segundo episódio de maus-tratos, envolvendo um cão caramelo. Nesse caso, um adolescente teria levado o animal ao mar no colo, mas o cão conseguiu sair da água sem maiores consequências.

Suspeita de coação durante a investigação

As investigações também apuram a possível participação de três adultos em um caso de coação de testemunha. Entre os investigados estão um pai de um dos adolescentes e um policial civil.

De acordo com o delegado Ulisses Gabriel, um dos mandados cumpridos nesta segunda tinha como objetivo localizar uma arma de fogo que teria sido usada para ameaçar uma testemunha. O objeto não foi encontrado.

Também foram feitas buscas em endereços ligados a dois adolescentes para apreensão de celulares e computadores, que podem auxiliar na apuração dos fatos.

“Ao todo, há indícios de que quatro adolescentes participaram das agressões contra o cão, além do envolvimento de três adultos em uma possível coação no curso da investigação”, afirmou o delegado.

Caso gerou comoção

A morte de Orelha provocou forte reação nas redes sociais e mobilizou moradores, ONGs e entidades de proteção animal. O cão vivia na região há cerca de dez anos e era cuidado de forma espontânea pela comunidade local.

Em nota, a Associação dos Moradores da Praia Brava destacou que Orelha fazia parte da rotina do bairro e se tornou um símbolo de convivência e cuidado coletivo com os animais.

Governador se manifesta

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), também se pronunciou sobre o caso. Ele afirmou que determinou a abertura imediata das investigações após tomar conhecimento da morte do animal e que os mandados foram solicitados poucos dias depois do início da apuração.

Segundo o governador, as provas já foram reunidas e anexadas ao processo, e novas informações devem ser divulgadas nos próximos dias.