Relógio alertará vítimas de violência doméstica sobre aproximação de agressor

Tecnologia permitirá aviso em tempo real e acionamento automático da polícia

Publicado em 23 de março de 2026 às 18:37

(Imagem ilustrativa)
(Imagem ilustrativa) Crédito: Istock

O uso de tecnologia no combate à violência doméstica deve ganhar um novo reforço no Brasil com a implantação de um sistema capaz de alertar vítimas sobre a aproximação de seus agressores em tempo real. A iniciativa prevê a utilização de um relógio inteligente conectado a tornozeleiras eletrônicas usadas por investigados ou condenados por violência contra a mulher.

O projeto, denominado “Alerta Mulher Segura”, está sendo desenvolvido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e tem como objetivo ampliar a eficácia das medidas protetivas. Pelo sistema, o agressor utiliza uma tornozeleira com geolocalização, enquanto a vítima recebe um smartwatch. A partir disso, é estabelecido um perímetro de segurança. Caso esse limite seja ultrapassado, o relógio emite um alerta imediato, ao mesmo tempo em que uma central de monitoramento e equipes policiais são acionadas.

A proposta busca resolver uma das principais falhas dos mecanismos atuais de proteção: a dependência da ação da vítima em momentos de risco. Em situações de ameaça, muitas mulheres não conseguem acionar aplicativos ou dispositivos de emergência, o que pode comprometer a resposta das autoridades.

A previsão é que o projeto piloto tenha início em abril de 2026, com implementação inicial nos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Piauí. Ao todo, cerca de 5 mil dispositivos devem ser distribuídos nesta fase inicial.

A medida acompanha discussões recentes no Congresso Nacional que reforçam o uso de tornozeleiras eletrônicas como instrumento imediato em casos de violência doméstica. A expectativa é que a tecnologia contribua para reduzir o descumprimento de medidas protetivas e prevenir casos de feminicídio.

Especialistas avaliam que a automatização dos alertas representa um avanço significativo na proteção das vítimas, ao permitir uma resposta mais rápida das forças de segurança e diminuir a exposição ao risco.

Cm informações do portal UOL