Alta gastronomia em Belém transforma cacau em experiência de Páscoa com valor econômico

No SEEN Belém, no rooftop do Tivoli Maiorana, chef Frederico Miranda aposta em ingredientes regionais e reforça o papel da gastronomia na valorização da cadeia produtiva paraense.

Publicado em 31 de março de 2026 às 18:43

O chef  Frederico Miranda, do rooftop do Tivoli Maiorana, assina uma sobremesa autoral onde o cacau é protagonista. 
O chef  Frederico Miranda, do rooftop do Tivoli Maiorana, assina uma sobremesa autoral onde o cacau é protagonista.  Crédito: Divulgação 

Em um movimento que vai além da estética e do paladar, a alta gastronomia tem redescoberto suas raízes — e, na Amazônia, isso significa olhar para dentro. Em Belém, o SEEN, restaurante instalado no rooftop do Tivoli Maiorana, traduz essa virada ao colocar o cacau amazônico no centro de uma experiência que combina técnica, narrativa e identidade regional.

A proposta, apresentada durante a Semana da Páscoa, não é apenas uma releitura sofisticada de um ingrediente tradicional. É também um reflexo de uma mudança de mentalidade: a de que luxo, hoje, passa necessariamente pela origem — e pela valorização do território.

À frente dessa construção está o chef executivo Frederico Miranda, que assina uma sobremesa autoral onde o cacau aparece em diferentes camadas sensoriais, dialogando com o cupuaçu e a castanha-do-Pará.

A experiência é finalizada à mesa, em uma apresentação que reforça o caráter contemporâneo da alta cozinha, sem abrir mão da identidade amazônica. Para Frederico Miranda, essa conexão entre alta gastronomia e território é irreversível.

“Quando a gente traz o cacau amazônico para o centro de uma experiência de alta gastronomia, não é só sobre sabor — é sobre contar a história de um território e valorizar quem produz. Cada prato ou coquetel também é uma forma de fortalecer essa cadeia e mostrar que o ingrediente local pode, sim, ocupar um lugar de destaque na cozinha contemporânea”, garante.

Mais do que um exercício criativo, a escolha de ingredientes amazônicos carrega implicações diretas para a economia local. Ao priorizar insumos regionais, restaurantes desse porte ajudam a impulsionar produtores, fortalecer cadeias produtivas e ampliar o reconhecimento de ingredientes amazônicos no circuito gastronômico nacional.

No caso do Seen, o movimento também encontra eco no bar da casa, que aposta em releituras clássicas com insumos da floresta, como o Cacau Negroni — uma combinação que reforça o potencial do ingrediente para além da confeitaria.

“Esse é um importante exemplo no qual a alta gastronomia deixa de ser apenas vitrine de sabores para se tornar também agente de transformação”, completa o chef.