Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 15:44
Lideranças indígenas e moradores da região interditaram, nesta quarta-feira (4), a Rodovia Fernando Guilhon, bloqueando o acesso ao Aeroporto de Santarém, no oeste do Pará. A manifestação ocorre em defesa do Rio Tapajós e contra a dragagem do rio, considerada pelos manifestantes uma ameaça aos territórios indígenas, ao meio ambiente e aos modos de vida das comunidades tradicionais.>
O protesto pede a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que autoriza a dragagem do Rio Tapajós no trecho entre os municípios de Itaituba e Santarém e inclui mais de 3 mil quilômetros de rios da Amazônia Legal no Programa Nacional de Desestatização (PND). Entre os rios contemplados estão o Tapajós, o Madeira e o Tocantins.>
Indígenas de diversas etnias iniciaram a interdição da via no começo da tarde. A ação integra uma série de manifestações que já duram quase duas semanas em Santarém e que questionam a implantação da hidrovia do Tapajós sem a realização de consulta livre, prévia e informada às comunidades potencialmente afetadas, conforme previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).>
Antes do bloqueio da rodovia, o grupo mantinha a ocupação do terminal de cargas da multinacional do agronegócio Cargill. Com o passar dos dias, a mobilização ganhou força e, segundo os organizadores, o número de participantes aumentou de cerca de 150 indígenas na semana passada para aproximadamente 700, oriundos de povos do Baixo, Médio e Alto Tapajós.>
Desde o dia 22 de janeiro, as lideranças também exigem a suspensão imediata das obras de dragagem no rio Tapajós. Segundo os manifestantes, o processo teria sido iniciado antes da conclusão dos estudos ambientais exigidos pela legislação.>
As comunidades indígenas afirmam ainda que o governo federal descumpriu compromissos assumidos anteriormente. Em novembro do ano passado, representantes do Executivo teriam garantido que não haveria avanço de projetos no rio Tapajós sem consulta às populações afetadas.>
Uma reunião presencial prevista para a última sexta-feira (30) não ocorreu após a ausência de representantes do governo federal em Santarém. De acordo com o movimento, a presença física das autoridades é condição essencial para qualquer negociação, já que encontros virtuais com representantes de segundo escalão foram considerados insuficientes.>
Os indígenas agora aguardam uma nova reunião ainda nesta quarta-feira (4), com a participação presencial de representantes do governo federal e mediação do Ministério Público Federal (MPF). O órgão já emitiu recomendações alertando para a necessidade de estudos ambientais adequados e da realização de consultas às comunidades tradicionais antes de qualquer intervenção no Rio Tapajós.>