MP pede inelegibilidade de governador eleito do Pará, esposa e vereador por suspeita de abuso de poder

Ação apresentada à Justiça Eleitoral aponta possível uso político de projeto social que oferecia consultas oftalmológicas, exames de vista e óculos gratuitos.

Publicado em 28 de outubro de 2026 às 18:25

(A suspeita apresentada pelo Ministério Público é de que as atividades tenham sido utilizadas para promover politicamente os envolvidos.)
(A suspeita apresentada pelo Ministério Público é de que as atividades tenham sido utilizadas para promover politicamente os envolvidos.) Crédito: Reprodução

O Ministério Público Eleitoral acionou a Justiça para pedir a inelegibilidade do governador eleito do Pará, Daniel Santos, de sua esposa, Alessandra Haber, e do vereador Alexandre Gomes, por suspeita de abuso de poder relacionado a ações do projeto social Olhar Cidadão. O caso foi divulgado nesta quarta-feira (28), pela imprensa paraense.

De acordo com as informações da ação, o projeto oferecia serviços oftalmológicos gratuitos à população. A suspeita apresentada pelo Ministério Público é de que as atividades tenham sido utilizadas para promover politicamente os envolvidos.

Suspeita de promoção política

Entre os elementos apontados na ação estão a divulgação dos atendimentos em veículos adesivados, o uso de banners e publicações nas redes sociais, além de embalagens de óculos que conteriam imagens dos políticos.

As atividades teriam sido realizadas em municípios paraenses, incluindo Ananindeua, Tucuruí, Breu Branco, Jacundá e Viseu.

O Ministério Público também aponta questionamentos sobre a documentação relacionada à origem dos recursos financeiros utilizados nas ações. Os argumentos fazem parte das alegações apresentadas à Justiça e deverão ser analisados durante a tramitação do processo.

Pedidos à Justiça Eleitoral

Na ação, o Ministério Público solicita que os envolvidos sejam declarados inelegíveis pelo período de oito anos, além de outras medidas relacionadas aos registros ou diplomas eleitorais, conforme a situação de cada investigado.

O órgão também pede providências para impedir a continuidade de eventos que, segundo a acusação, possam estar associados à promoção política dos envolvidos.

Caso ainda depende de julgamento

A apresentação da ação não significa que os investigados tenham sido condenados ou que estejam automaticamente impedidos de exercer seus mandatos. Caberá à Justiça Eleitoral examinar as provas, avaliar os argumentos das partes e decidir sobre os pedidos apresentados.

Até a conclusão do julgamento, as acusações devem ser tratadas como alegações do Ministério Público, sem antecipar o resultado do processo.