Publicado em 20 de outubro de 2026 às 08:22
Esquecida por gerações em meio aos livros de culinária e aos roteiros tradicionais, a herança alimentar dos povos originários da Bacia Amazônica encontrou o seu grande palco. É o que aponta a conceituada revista norte-americana Travel+Leisure, sediada em Nova York, que consagrou Belém como o destino gastronômico mais dinâmico do Brasil em uma reportagem assinada pelo jornalista Michael Snyder.>
Especializado em turismo, arquitetura e gastronomia e colaborador de publicações de peso como o The New York Times, Snyder mergulhou nos mercados, casarões e padarias da capital paraense para desenhar um retrato vivo da culinária local. Para o autor, a metrópole amazônica vive um momento de redescoberta e aclamação internacional, rompendo fronteiras e atraindo os holofotes globais para a riqueza de sua mesa.>
O percurso do jornalista teve como parada obrigatória o complexo do Ver-o-Peso. Em um relato sensorial sobre a atmosfera abafada da manhã belenense, ele descreve as fileiras de barracas abastecidas por peixes defumados e salgados vindos de rios distantes, garrafas preenchidas pelo tucupi cor de âmbar fermento extraído da mandioca que serve de base para caldos e iguarias, além das folhas de jambu, capazes de entorpecer o paladar com uma sensação que remete à pimenta-de-Sichuan.>
O açaí ganha destaque especial nas anotações do cronista: no estado responsável por responder por noventa por cento da produção global do fruto, ele abandona o status de sobremesa gourmet e surge em sua essência rústica, batido denso e servido como acompanhamento para o peixe frito.>
A viagem pelos sabores locais também revelou diálogos históricos entre a floresta e o Velho Mundo. Nas páginas da publicação, Snyder chama a atenção para o intercâmbio cultural enraizado no centro histórico, citando como exemplo o tradicional lombo de porco assado de origem portuguesa que recheia os sanduíches matinais na clássica padaria A Bijou, instalada há décadas em um casarão secular no bairro do Reduto.>
As portas da Amazônia seguem abertas para o mundo, redefinindo o turismo culinário e provando que a verdadeira inovação gastronômica brasileira pulsa forte à beira da Baía do Guajará.>