Publicado em 15 de abril de 2026 às 07:57
O episódio de violência brutal registrado em vídeo na última segunda-feira (13), em Belém, em que um homem em situação de rua é eletrocutado por estudantes do curso de direito, com um taser, deixou de ser apenas mais um caso isolado para se transformar em um retrato alarmante de crueldade. As cenas da violência registradas em vídeos e compartilhadas nas redes sociais, provocou revolta imediata e cobrança nacional por punição para os envolvidos.>
O crime ocorreu na Avenida Alcindo Cacela, no bairro do Umarizal. Nas imagens que viralizaram, um dos jovens se aproxima por trás e dispara um taser contra a vítima, que não reage. Outro estudante filma toda a ação. O que mais choca é a atitude dos envolvidos: eles riem enquanto o homem sofre com as descargas.>
A repercussão foi intensa, internautas, influenciadores e políticos cobrando punição rigorosa e classificando o episódio como "covarde" e "desumano", como destacou a vereadora Raquel Viana, que ajuda a vítima diariamente, principalmente com alimentação.>
Segundo Raquel, conhecida por lutar pela causa animal na capital paraense, a situação da vítima levanta ainda mais preocupação. Devido a saúde mental da vítima, conhecido como "Real", por se recusar a ser submetido a exames periciais, o caso pode perder força no inquérito policial. Raquel destaca que o homem segue em situação de rua, que sofre de esquizofrenia e até agora, está fora de qualquer rede de proteção.>
Segundo relato da vereadora, que acompanhou de perto os desdobramentos do caso, o cenário é de abandono e dificuldade de atuação por parte das autoridades. "Quando estava chegando em casa, recebi a ligação do delegado perguntando se eu podia ajudar na condução do 'Real', rapaz agredido pelos estudantes, para fazer exames e anexar aos autos do inquérito policial", afirmou. Mas, ainda segundo a vereadora, o homem recusou atendimento.>
"Ele não quis ser conduzido para fazer exames, e não há no país nenhuma lei que obrigue ele a ser internado ou levado para abrigo de forma coercitiva".>
A vereadora também criticou a ausência de órgãos responsáveis. "Entrei em contato com a diretora da Funpapa, mas ela não me atendeu e não retornou. Também não vi, em nenhum momento, a Funpapa tentando encontrá-lo, nem os Direitos Humanos".>
De acordo com ela, ela é responsável por ajudar "Real" na alimentação e que há mais de 10 anos ele mora nas ruas.>
Sobre os suspeitos, Raquel Viana comentou a repercussão nas redes sociais e fez críticas à postura dos envolvidos. "Vi o advogado de um dos 'garotos' dizendo que está havendo 'linchamento virtual de um jovem de 18 anos'. Ele deveria ter escolhido melhor as atitudes dele. Poderia ter saído de casa para estudar, e não para atacar um morador de rua", destacou a vereadora.>
Ela também demonstrou descrença quanto à responsabilização dos autores. "Pra mim, o caso vai ser arquivado. Primeiro porque o 'Real' não quis fazer os exames. Mas, mesmo que tivesse feito, não daria em nada, pois são dois 'meninos' de família rica".>
Além da agressão em si, o caso também levanta questionamentos sobre o uso de armas de choque por civis, o que pode configurar crime e agravar ainda mais a situação dos envolvidos.>
A Polícia Civil segue investigando o caso, que continua gerando indignação e levantando debates sobre violência e desigualdade social.>