Guarda de Maduro tinha cubanos e expõe nível de dependência do regime com Havana

Cooperação em segurança entre Venezuela e Cuba se intensificou após desconfiança de Maduro nas próprias Forças Armadas

Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 15:49

Cooperação em segurança entre Venezuela e Cuba se intensificou após desconfiança de Maduro nas próprias Forças Armadas
Cooperação em segurança entre Venezuela e Cuba se intensificou após desconfiança de Maduro nas próprias Forças Armadas Crédito: Reprodução

Na madrugada de sábado (3), a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos revelou um detalhe sensível da segurança do regime chavista: parte da guarda pessoal do então presidente era formada por militares cubanos, dos quais 32 morreram durante a operação, segundo governos de Venezuela e Cuba.

A presença de agentes enviados por Havana no núcleo de proteção de Maduro não surgiu de forma repentina. Desde os primeiros anos do governo Hugo Chávez, Venezuela e Cuba mantêm uma cooperação que começou em áreas como saúde e educação, mas que, ao longo do tempo, avançou para setores estratégicos como inteligência, contrainteligência e segurança institucional.

Esse arranjo ganhou força especialmente sob o comando de Maduro. Diante de crises internas, tentativas de rebelião e episódios de deserção nas Forças Armadas venezuelanas, o líder chavista passou a demonstrar desconfiança crescente de seus próprios militares. Como resposta, ampliou o papel de assessores cubanos em posições sensíveis, incluindo a proteção direta do Palácio de Miraflores e sua guarda pessoal.

O reforço desse esquema ocorreu em paralelo ao discurso recorrente de Maduro de que seria alvo de planos de assassinato e de uma possível ação direta dos Estados Unidos. A Guarda de Honra Presidencial, responsável pelo primeiro anel de segurança, passou a ser formada por agentes selecionados com participação de serviços de segurança cubanos, seguindo protocolos mais rígidos após as eleições de 28 de julho de 2014, marcadas por denúncias de fraude e instabilidade política.

Nos últimos meses, as medidas de proteção se intensificaram ainda mais. Segundo relatos divulgados pela imprensa internacional, Maduro passou a mudar com frequência os locais onde dormia e os aparelhos de celular que utilizava, numa tentativa de reduzir riscos de rastreamento. Essas precauções aumentaram após o reforço da presença militar dos EUA no Caribe e ataques americanos a embarcações ligadas, segundo Washington, ao tráfico de drogas.

Após a operação militar que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, os governos de Venezuela e Cuba informaram que 32 militares cubanos morreram durante a ação. Caracas divulgou um número preliminar de 80 mortos no total. Havana confirmou oficialmente, dois dias depois, a morte de seus agentes.

Em nota, o Ministério do Interior de Cuba afirmou que os militares integravam missões das Forças Armadas Revolucionárias e do próprio ministério, atuando a pedido de órgãos venezuelanos. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reconheceu publicamente pela primeira vez a atuação direta de agentes de seu país na segurança do aliado, decretou dois dias de luto, mas não revelou nomes nem funções específicas das vítimas.

Já o governo venezuelano classificou a operação dos EUA como uma violação da soberania nacional. Em comunicado, a presidente interina Delcy Rodríguez homenageou os cubanos mortos, destacando que atuavam dentro de acordos de cooperação entre Estados soberanos e exerciam funções de proteção institucional. Rodríguez também agradeceu ao governo cubano e a Raúl Castro pelo apoio e solidariedade após os ataques.