Publicado em 18 de outubro de 2026 às 15:32
A França enfrentou, no sábado (17), uma onda de manifestações que começou com reivindicações estudantis e ganhou dimensão nacional. Os atos reuniram diferentes grupos insatisfeitos com as condições de vida no país e terminaram com confrontos, saques e incêndios em cidades como Paris, Lyon e Limoges, onde um prédio histórico da prefeitura foi atingido pelo fogo.>
Problemas na educação pública>
A mobilização estudantil começou em setembro, na região de Créteil, nos arredores de Paris. Entre as reivindicações estavam a falta de professores, salas superlotadas, problemas de conservação dos prédios escolares e ausência de profissionais para substituir docentes afastados.>
Os estudantes também criticaram o sistema Parcoursup, plataforma utilizada para organizar o ingresso no ensino superior francês, e as condições de acesso às universidades.>
Custo de vida e combustíveis>
As manifestações também reuniram pessoas insatisfeitas com o custo de vida. O preço dos combustíveis e as despesas com energia e alimentação estão entre as questões mencionadas pelos grupos mobilizados.>
A convocação para os atos circulou nas redes sociais e contou com a participação de integrantes dos Coletes Amarelos, movimento que ganhou força na França em 2018, inicialmente contra o aumento dos impostos sobre combustíveis e, posteriormente, com reivindicações relacionadas à renda e às políticas econômicas.>
Críticas ao orçamento público>
Outro ponto de contestação é a proposta orçamentária do governo francês para 2027, que prevê medidas para reduzir o déficit público. Sindicatos também criticam o congelamento dos salários dos servidores, apontado pelas entidades como uma das razões para a participação de trabalhadores nas manifestações.>
Incêndios, saques e detenções>
Durante os atos deste sábado, grupos atacaram prédios públicos, saquearam estabelecimentos comerciais e entraram em confronto com agentes de segurança. Além do incêndio em Limoges, foram registrados episódios de violência em outras cidades francesas.>
O ministro do Interior, Laurent Nunez, estimou em 550 mil o número de participantes em todo o país e informou que cerca de 400 pessoas haviam sido detidas após os episódios de violência.>
O presidente Emmanuel Macron condenou os ataques e afirmou que os responsáveis serão processados e punidos.>