Processos Casa Pia e Madeleine McCann surgem nos arquivos Epstein

O escândalo sexual inclui abuso sexual de criança em Portugal

Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 11:42

(Jeffrey Epstein, magnata bilionário norte-americano)
(Jeffrey Epstein, magnata bilionário norte-americano) Crédito: Reprodução/Redes Sociais

Em mais um desdobramento na investigação do escândalo sexual Epstein, o processo Casa Pia é mencionado nos chamados “Epstein Files”, um conjunto de documentos foi divulgado pelo Departamento de Justiça norte-americano, por meio, de uma denúncia enviada às autoridades americanas. O documento solicita a investigação de uma eventual ligação entre Jeffrey Epstein em um esquema de abuso sexual de crianças em Portugal. O caso revela a participação de milionários norte-americanos.

A evidência consta de um e-mail datado de julho de 2019, cujo assunto está nomeado como “Jeffrey Epstein”. A mensagem alertava para o conteúdo de um documentário estreado pela Netflix sobre o desaparecimento de Madeleine McCann, onde surgiam declarações relacionadas com o escândalo da Casa Pia.

Conforme a denúncia, o documentário narra suspeita de abusos sexuais cometidos num orfanato português e menciona a presença de “milionários americanos” que viajavam para Portugal em jatos privados com o objetivo de explorar sexualmente menores.

O autor do e-mail escreveu no corpo da mensagem: “Na temporada 1, episódio 3, jornalistas portugueses lembram o escândalo que ocorreu uns anos antes sobre abuso de crianças num orfanato português (…). Um jornalista diz mesmo que é um facto conhecido que milionários americanos estavam a voar para Portugal em jatos privados para abusar sexualmente destas crianças”. A mensagem termina com a indicação: “Esta informação pode ser do vosso interesse”.

Não é conhecido se as autoridades norte-americanas estão investigando essa possível ligação, mas o e-mail integra agora a documentação oficial associada ao caso Epstein.

As afirmações referidas na denúncia dizem respeito a declarações da jornalista Felícia Cabrita, que surge no documentário a relata ter encontrado provas de ligações entre cidadãos norte-americanos e a instituição.

No filme, a jornalista afirma que, desde a década de 1960, esses indivíduos “se deslocavam a Portugal, com a conivência da Casa Pia, e, que faziam com estas crianças o que bem entendiam”.

O documentário foi alvo de críticas por apresentar poucas novidades e por não esclarecer pontas soltas do caso Madeleine McCann.

De acordo com os registos divulgados, essa é a única referência explícita ao processo Casa Pia dentro dos ficheiros Epstein, embora Portugal surja em outras passagens da documentação.

As menções dizem sobretudo respeito a registos de voos associados ao avião privado de Epstein, conhecido como “Lolita Express”. No documentário há os detalhes das escalas registadas na ilha de Santa Maria, em Açores.

A bordo do avião teriam viajado figuras públicas, incluindo o próprio Jeffrey Epstein, a sua companheira Ghislaine Maxwell, que atualmente cumpre uma pena de 20 anos de prisão por cumplicidade em crimes financeiros. Também teriam usado a aeronave o ex-presidente norte-americano Bill Clinton, o ator Kevin Spacey e outras celebridades.

Os documentos incluem o nome do antigo ministro dos Negócios Estrangeiros do Partido Socialista, Luís Amado.

Com informações do portal de notícias Sapo