Senado aprova impeachment e destitui presidente do Paraguai após escândalo bancário

Santiago Peña foi afastado nesta sexta-feira (6) por 44 votos favoráveis e nenhum contrário. Mesmo após anunciar renúncia, o presidente não conseguiu evitar o julgamento político. Vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do país.

Publicado em 6 de novembro de 2026 às 20:17

(Santiago Peña)
(Santiago Peña) Crédito: José Cruz - Agência Brasil

O Paraguai vive um dos momentos mais turbulentos de sua história política contemporânea. O Senado aprovou nesta sexta-feira (6), o impeachment do presidente Santiago Peña, que foi destituído do cargo em meio a uma grave crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank.

A decisão foi tomada por unanimidade: os 44 senadores presentes votaram a favor do afastamento, sem votos contrários ou abstenções. Peña foi condenado por mau desempenho de funções, em um julgamento que avançou mesmo depois de o presidente anunciar sua renúncia na quinta-feira (5).

A tentativa de deixar o cargo antes da conclusão do processo não impediu a destituição. A renúncia não chegou a ser aceita pelo Congresso, e os parlamentares decidiram levar o julgamento político até o fim.

Entenda: o escândalo bancário que provocou a crise

O afastamento está diretamente ligado à crise do Ueno Bank, instituição financeira que teve suas operações suspensas pelo Banco Central paraguaio após a identificação de graves problemas financeiros e irregularidades.

O colapso afetou milhões de clientes, que ficaram sem acesso aos próprios recursos, provocando revolta popular e manifestações nas ruas de Assunção, capital do Paraguai.

As acusações contra Peña envolvem possíveis conflitos de interesse, movimentações de recursos públicos e supostas falhas na fiscalização do sistema financeiro. O presidente nega irregularidades.

Quem assume a presidência?

Com a destituição de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir a Presidência da República e permanecer no cargo até agosto de 2028, conforme prevê a Constituição paraguaia.

Além da perda do mandato, a decisão abre caminho para que Peña responda a eventuais acusações na Justiça comum, sem a imunidade parlamentar que teria caso sua renúncia fosse aceita e ele assumisse a condição de senador vitalício. A destituição política, porém, não representa uma condenação criminal.