Publicado em 15 de julho de 2026 às 23:27
Os Estados Unidos oficializaram nesta quarta-feira (15), a aplicação de uma tarifa de 25% sobre uma ampla lista de produtos brasileiros. A medida foi anunciada após a conclusão da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que acusa o Brasil de adotar práticas consideradas desleais e prejudiciais às empresas e exportadores norte-americanos.>
Além da recomendação para a cobrança das tarifas, o USTR encaminhou à Casa Branca uma proposta de atualização da lista de produtos que ficarão isentos da nova alíquota. A relação completa ainda não foi divulgada, mas o governo americano informou que café e carne bovina não serão atingidos pela medida.>
A decisão já era aguardada pelo governo brasileiro, que vinha negociando com autoridades norte-americanas ao longo do último ano na tentativa de evitar o aumento tarifário. No Palácio do Planalto, a expectativa agora é pela publicação dos detalhes da medida para avaliar quais setores serão mais impactados.>
De acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 4 mil produtos brasileiros podem ser afetados pelo tarifaço, com impacto estimado em aproximadamente US$ 14,9 bilhões nas exportações para os Estados Unidos.>
Governo brasileiro vê motivação política>
Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmam que os argumentos apresentados pelos Estados Unidos carecem de fundamentação técnica e possuem forte viés político. A avaliação é de que, apesar das justificativas americanas, a balança comercial entre os dois países registra superávit em favor dos Estados Unidos.>
Segundo o governo de Donald Trump, no entanto, o Brasil mantém políticas que dificultam a atuação de empresas americanas e comprometem a competitividade dos produtos norte-americanos, justificando a adoção das novas tarifas como forma de reequilibrar as relações comerciais.>
Os principais pontos da investigação>
A investigação foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelos Estados Unidos para apurar práticas comerciais consideradas injustas.>
Entre as principais críticas feitas ao Brasil estão:>
• restrições à atuação de empresas de tecnologia e de pagamentos digitais, incluindo questionamentos ao funcionamento do Pix e à atuação do Banco Central;>
• concessão de tarifas preferenciais a países como México e Índia sem benefícios equivalentes aos produtos norte-americanos;>
• supostas falhas no combate à corrupção;>
• deficiências na proteção da propriedade intelectual, incluindo combate à pirataria e demora na concessão de patentes;>
• falta de reciprocidade no acesso ao mercado brasileiro de etanol;>
• aplicação considerada insuficiente da legislação ambiental para combater o desmatamento ilegal.>
Audiências e participação de Flávio Bolsonaro>
Antes da conclusão do processo, o USTR realizou audiências públicas para ouvir representantes da indústria, empresários e membros da sociedade civil.>
Entre os participantes esteve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que classificou o momento como inadequado para a adoção das tarifas por ocorrer às vésperas do processo eleitoral brasileiro. Segundo ele, a medida poderia beneficiar politicamente o presidente Lula.>
A maior parte das empresas e entidades que participaram das consultas, no entanto, manifestou-se contrária à aplicação das tarifas, alertando para possíveis prejuízos ao comércio entre os dois países.>
Nova tarifa ainda pode ser anunciada>
O governo brasileiro também acompanha uma segunda investigação aberta pelos Estados Unidos, desta vez relacionada à exploração de trabalho forçado.>
Caso a nova recomendação seja aprovada pela Casa Branca, poderá ser aplicada uma tarifa adicional de 12,5% sobre determinados produtos brasileiros. Com isso, alguns setores da indústria nacional poderão enfrentar uma taxação total de até 37,5% para exportar ao mercado norte-americano.>
A medida representa um novo capítulo nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e pode gerar impactos significativos para a indústria brasileira, especialmente em setores com forte dependência das exportações para o mercado americano.>
Com informações do portal Metrópoles>