Trump oficializa tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e amplia tensão comercial com o Brasil

Medida anunciada pelos Estados Unidos conclui investigação do USTR sobre supostas práticas comerciais desleais; cerca de 4 mil produtos brasileiros podem ser afetados.

Publicado em 15 de julho de 2026 às 23:27

(Os presidentes dos Estados Unidos do Brasil, Donald Trump e Lula, respectivamente) 
(Os presidentes dos Estados Unidos do Brasil, Donald Trump e Lula, respectivamente)  Crédito: Ricardo Stuckert/PR

Os Estados Unidos oficializaram nesta quarta-feira (15), a aplicação de uma tarifa de 25% sobre uma ampla lista de produtos brasileiros. A medida foi anunciada após a conclusão da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que acusa o Brasil de adotar práticas consideradas desleais e prejudiciais às empresas e exportadores norte-americanos.

Além da recomendação para a cobrança das tarifas, o USTR encaminhou à Casa Branca uma proposta de atualização da lista de produtos que ficarão isentos da nova alíquota. A relação completa ainda não foi divulgada, mas o governo americano informou que café e carne bovina não serão atingidos pela medida.

A decisão já era aguardada pelo governo brasileiro, que vinha negociando com autoridades norte-americanas ao longo do último ano na tentativa de evitar o aumento tarifário. No Palácio do Planalto, a expectativa agora é pela publicação dos detalhes da medida para avaliar quais setores serão mais impactados.

De acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 4 mil produtos brasileiros podem ser afetados pelo tarifaço, com impacto estimado em aproximadamente US$ 14,9 bilhões nas exportações para os Estados Unidos.

Governo brasileiro vê motivação política

Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmam que os argumentos apresentados pelos Estados Unidos carecem de fundamentação técnica e possuem forte viés político. A avaliação é de que, apesar das justificativas americanas, a balança comercial entre os dois países registra superávit em favor dos Estados Unidos.

Segundo o governo de Donald Trump, no entanto, o Brasil mantém políticas que dificultam a atuação de empresas americanas e comprometem a competitividade dos produtos norte-americanos, justificando a adoção das novas tarifas como forma de reequilibrar as relações comerciais.

Os principais pontos da investigação

A investigação foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelos Estados Unidos para apurar práticas comerciais consideradas injustas.

Entre as principais críticas feitas ao Brasil estão:

• restrições à atuação de empresas de tecnologia e de pagamentos digitais, incluindo questionamentos ao funcionamento do Pix e à atuação do Banco Central;

• concessão de tarifas preferenciais a países como México e Índia sem benefícios equivalentes aos produtos norte-americanos;

• supostas falhas no combate à corrupção;

• deficiências na proteção da propriedade intelectual, incluindo combate à pirataria e demora na concessão de patentes;

• falta de reciprocidade no acesso ao mercado brasileiro de etanol;

• aplicação considerada insuficiente da legislação ambiental para combater o desmatamento ilegal.

Audiências e participação de Flávio Bolsonaro

Antes da conclusão do processo, o USTR realizou audiências públicas para ouvir representantes da indústria, empresários e membros da sociedade civil.

Entre os participantes esteve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que classificou o momento como inadequado para a adoção das tarifas por ocorrer às vésperas do processo eleitoral brasileiro. Segundo ele, a medida poderia beneficiar politicamente o presidente Lula.

A maior parte das empresas e entidades que participaram das consultas, no entanto, manifestou-se contrária à aplicação das tarifas, alertando para possíveis prejuízos ao comércio entre os dois países.

Nova tarifa ainda pode ser anunciada

O governo brasileiro também acompanha uma segunda investigação aberta pelos Estados Unidos, desta vez relacionada à exploração de trabalho forçado.

Caso a nova recomendação seja aprovada pela Casa Branca, poderá ser aplicada uma tarifa adicional de 12,5% sobre determinados produtos brasileiros. Com isso, alguns setores da indústria nacional poderão enfrentar uma taxação total de até 37,5% para exportar ao mercado norte-americano.

A medida representa um novo capítulo nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e pode gerar impactos significativos para a indústria brasileira, especialmente em setores com forte dependência das exportações para o mercado americano.

Com informações do portal Metrópoles