Lula rejeita rótulo de Trump para PCC e CV como terroristas e cita 8 de Janeiro

Presidente criticou decisão dos Estados Unidos e afirmou que conceito de terrorismo está ligado à disputa pelo poder.

Publicado em 18 de setembro de 2026 às 19:26

(Presidente Luiz Inácio Lula da Silva)
(Presidente Luiz Inácio Lula da Silva) Crédito: Reprodução/YouTube

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (18), durante agenda no Rio de Janeiro, que não concorda com a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos.

Durante um evento voltado à apresentação de ações integradas de segurança pública, Lula declarou que o Brasil precisa combater o crime organizado, mas rejeitou o enquadramento adotado pelo governo de Donald Trump.

“Eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump”, afirmou o presidente.

Na sequência, Lula relacionou o conceito de terrorismo à tentativa de tomada do poder e citou os atos de 8 de janeiro de 2023. Segundo ele, a trama investigada pela Polícia Federal previa ataques contra autoridades, entre elas o próprio presidente, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Quando o Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado. Ele fala da luta, da briga pelo poder. Quem era isso? Era o Bolsonaro tentando dar o golpe em 8 de Janeiro”, disse Lula.

Apesar de rejeitar a classificação formal das facções como terroristas, o presidente reconheceu que a atuação desses grupos produz efeitos semelhantes para moradores de regiões dominadas pelo crime organizado.

A declaração ocorreu durante o lançamento de um plano de integração entre União, governo do Rio de Janeiro e municípios para combater facções, milícias e outras organizações criminosas. A estratégia prevê compartilhamento de informações, inteligência, investigação criminal e uso de tecnologias de monitoramento.

A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos Estados Unidos é um dos pontos de divergência entre Washington e o governo brasileiro. O governo Lula sustenta que o combate às organizações criminosas deve ser conduzido dentro das instituições e da legislação brasileira.

Com informações do portal UOL