Cosme e Damião: entenda a tradição de distribuir doces

Costume popular reúne referências do catolicismo e das religiões de matriz africana e mantém viva uma tradição passada entre gerações.

Publicado em 27 de setembro de 2026 às 14:59

(Na tradição católica, Cosme e Damião eram irmãos gêmeos e médicos que ficaram conhecidos por cuidar de pessoas sem cobrar pelos atendimentos.)
(Na tradição católica, Cosme e Damião eram irmãos gêmeos e médicos que ficaram conhecidos por cuidar de pessoas sem cobrar pelos atendimentos.) Crédito: Reprodução 

O dia de Cosme e Damião, celebrado em setembro, é marcado por uma tradição que atravessa gerações no Brasil: a distribuição de doces para crianças. O costume está associado principalmente às religiões de matriz africana e reúne elementos de diferentes tradições religiosas.

Na tradição católica, Cosme e Damião eram irmãos gêmeos e médicos que ficaram conhecidos por cuidar de pessoas sem cobrar pelos atendimentos. A associação dos santos com a infância e a distribuição de doces, porém, não faz parte da história católica original.

A tradição dos doces está relacionada à associação dos santos aos Ibejis, divindades ligadas à infância nas religiões de matriz africana. Durante o período da escravidão no Brasil, africanos escravizados associavam suas divindades a santos católicos como forma de preservar suas práticas religiosas diante da repressão aos cultos africanos.

Por que são distribuídos doces?

A entrega de balas, chocolates, pirulitos e outras guloseimas se tornou uma das principais marcas da celebração. Para muitas comunidades, o gesto representa alegria, partilha, fé e proteção das crianças.

A tradição permanece presente em diversas regiões do país e também ganhou novos formatos ao longo dos anos, com famílias, comunidades religiosas e grupos de moradores preparando sacolinhas de doces para distribuir às crianças.

Quem é Doum?

Além dos conhecidos Cosme e Damião, algumas tradições de matriz africana apresentam uma terceira criança chamada Doum.

Segundo pesquisadores, Doum não faz parte da história dos santos católicos. A figura surgiu na tradição oral e nas vivências de terreiros, passando a representar o terceiro integrante da dupla de irmãos.

Em algumas narrativas, Doum é apresentado como uma criança que morreu ainda pequena. A história está relacionada à ideia de proteção e cuidado com as crianças, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade.

Datas diferentes

Apesar de a celebração popular ser frequentemente associada ao dia 27 de setembro, existe uma diferença entre os calendários religiosos.

Na Igreja Católica, a celebração de São Cosme e São Damião passou a ser realizada em 26 de setembro, após uma mudança no calendário litúrgico feita em 1969. Já nas religiões de matriz africana, a tradição continua fortemente ligada ao dia 27.

A distribuição de doces, portanto, permanece como uma manifestação cultural e religiosa que atravessa gerações e reúne diferentes referências da formação cultural brasileira.

Com informações do portal g1