Lobista recebeu R$ 570 mil durante negociação de empréstimo de Goiânia com a União

Pagamentos ocorreram em 2024, enquanto Roberta Luchsinger mantinha contatos com integrantes do Tesouro sobre o aval para uma operação de R$ 710 milhões.

Publicado em 27 de setembro de 2026 às 14:15

(De acordo com a reportagem, Luchsinger teria indicado diferentes contas bancárias para receber os valores.)
(De acordo com a reportagem, Luchsinger teria indicado diferentes contas bancárias para receber os valores.) Crédito: Divulgação/Roberta Luchsinger

A empresária e lobista Roberta Luchsinger recebeu pelo menos R$ 570 mil em pagamentos durante o período em que atuava nas tratativas relacionadas ao empréstimo de R$ 710 milhões solicitado pela Prefeitura de Goiânia ao Banco do Brasil. As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles, com base em comprovantes bancários e mensagens obtidas pela reportagem.

Os pagamentos foram realizados em agosto e setembro de 2024 pelo então secretário-executivo da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, Quesede Ayres Henrique. Parte dos valores, segundo a reportagem, foi transferida pela Construservice, empresa ligada ao empresário Eduardo “DP” Barros.

Os comprovantes citados na reportagem mostram quatro pagamentos que totalizam R$ 570 mil: R$ 186 mil e R$ 214 mil, transferidos em 21 de agosto pela Construservice; R$ 50 mil, em 30 de agosto, pela empresa JJ2 CI; e R$ 120 mil, em 4 de setembro, de origem não identificada.

Contatos com o Tesouro

Segundo o levantamento, Luchsinger manteve conversas com Rogério Ceron, que na época comandava a Secretaria do Tesouro Nacional, enquanto o processo de análise do empréstimo estava em andamento.

Em julho de 2024, ela teria enviado a Ceron o número do processo administrativo e tratado sobre a operação. Também teria solicitado uma reunião entre Ceron e o então prefeito de Goiânia, Rogério Cruz.

O parecer técnico sobre o empréstimo foi emitido em 30 de julho, enquanto a manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ocorreu em 7 de agosto. Em 30 de agosto, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, autorizou a concessão da garantia da União.

A publicação do aval ocorreu no Diário Oficial da União em 2 de setembro de 2024.

Fazenda afirma que análise foi técnica

O Ministério da Fazenda afirmou que o processo seguiu os procedimentos técnicos previstos e negou relação entre os contatos sociais mencionados na reportagem e a análise oficial da operação.

Segundo a pasta, Goiânia cumpria os requisitos fiscais para obter a garantia da União. O ministério também declarou que o então secretário do Tesouro, Rogério Ceron, participou do processo dentro das atribuições do cargo.

A assessoria de Fernando Haddad afirmou que o ex-ministro não teve contato com Roberta Luchsinger nem tratou com ela sobre o empréstimo.

Destino dos pagamentos

De acordo com a reportagem, Luchsinger teria indicado diferentes contas bancárias para receber os valores. Entre os destinatários aparecem uma agência de turismo, uma pessoa que não foi identificada pela reportagem e a conta relacionada ao imóvel que a lobista alugava em Brasília.

As mensagens também indicariam outros pagamentos, inclusive em dinheiro vivo. No entanto, a reportagem ressalta que não foi possível determinar a relação de todos esses valores com os serviços prestados por Luchsinger à Prefeitura de Goiânia.

A reportagem informou que Roberta Luchsinger, Quesede Ayres, Eduardo “DP” Barros, a Prefeitura de Goiânia e outras pessoas citadas não apresentaram esclarecimentos até a publicação. As manifestações eventualmente enviadas posteriormente deverão ser incorporadas à apuração.

O empréstimo de R$ 710 milhões foi contratado pela Prefeitura de Goiânia com o Banco do Brasil e tem recursos destinados a obras de infraestrutura e outras áreas do município. Segundo informações citadas pelo Metrópoles, parte dos recursos já havia sido utilizada em obras, saúde e educação.

Com informações do portal g1