Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 18:30
Nesta quarta-feira (21), servidores municipais de Belém voltarão às ruas em mais um protesto marcado para às 8h, no bairro de São Brás. O ato faz parte de uma série de mobilizações iniciadas nos últimos dias e reúne profissionais da educação, da saúde e da assistência social que contestam mudanças recentes em leis que regem o serviço público municipal.>
Os professores da rede municipal estão em greve desde esta segunda-feira (19) e cobram a revogação da Lei nº 10.266/2026, que altera o Regime Jurídico Único dos servidores, além do novo Estatuto do Magistério e da matriz curricular aprovada pelo Conselho Municipal de Educação. A categoria afirma que as mudanças retiram direitos históricos e comprometem a qualidade do ensino ofertado à população.>
De acordo com Madalena do Socorro Gonçalves Jorge, do Sindicato dos Profissionais em Educação de Belém (Sintepp), a principal reivindicação do movimento é a revogação da nova legislação. Segundo ela, entre as perdas estão o fim da licença-prêmio, o encerramento dos planos de cargos e carreiras e a possibilidade de reajustes salariais ficarem condicionados exclusivamente à decisão do prefeito, com base no orçamento.>
A sindicalista afirma que houve tentativa de diálogo antes dos protestos. Um ofício solicitando reunião com o prefeito foi protocolado, mas não houve retorno. A votação das leis ocorreu em 17 de dezembro, durante uma sessão extraordinária convocada mesmo com a Câmara Municipal em recesso. Na ocasião, além das mudanças no estatuto dos servidores, também foram aprovados projetos como o aumento do IPTU e do ITBI, pacote que os trabalhadores classificam como prejudicial à população.>
Para a categoria, um avanço real só ocorrerá com a abertura de mesas de negociação. Segundo os servidores, as decisões foram tomadas sem discussão prévia. Madalena reforça que a greve vai além da pauta salarial e envolve a defesa dos serviços públicos. Ela destaca que muitos servidores também são usuários desses serviços e que medidas de privatização e retirada de direitos impactam diretamente o atendimento à população.>
A mobilização ganhou força com a adesão de profissionais da saúde. Segundo Fernando Silva, do Sindsaúde-PA, o funcionalismo municipal enfrenta um processo contínuo de enfraquecimento do serviço público em Belém. Ele aponta a extinção de programas sociais, a terceirização da gestão de unidades de saúde e a retirada de direitos como fatores que levaram a categoria a se somar aos atos.>
Na segunda-feira (19), servidores das secretarias de Saúde, Educação e Assistência Social realizaram um protesto em frente à Secretaria Municipal de Saúde, na avenida José Malcher. Com cartazes e palavras de ordem, o ato reforçou o clima de insatisfação que tem marcado os últimos dias na capital.>
As manifestações também lembram episódios de tensão ocorridos em dezembro, durante votação de projetos na Câmara Municipal. Servidores relataram dificuldades de acesso ao plenário e uso de força por parte da Guarda Municipal para conter os protestos, com registros de feridos, segundo os trabalhadores.>
Em nota, a Prefeitura de Belém informou que mantém diálogo com as categorias, mas afirmou que não pretende recuar das reformas aprovadas, destacando que as mudanças incluem gratificações que passam a incidir sobre a Previdência, o que, segundo a gestão, garante melhores aposentadorias aos servidores.>
Enquanto não há acordo, os servidores mantêm a greve e convocam a população a acompanhar o protesto desta quarta-feira, que deve reunir diferentes categorias no bairro de São Brás.>