Terreiro de Candomblé é alvo de ataque e vandalismo na Ilha do Mosqueiro

Devido à destruição do teto, o interior da "casa de santo" foi inundado pelas chuvas, deteriorando objetos rituais e o mobiliário.

Publicado em 25 de abril de 2026 às 13:39

(Momento do ataque) 
(Momento do ataque)  Crédito: Redes Sociais/Instagram 

Mais um caso de intolerância religiosa foi registrado no estado do Pará. Na Ilha do Mosqueiro, em Belém, um terreiro de Candomblé foi alvo de um ataque frontal: um agressor utilizando uma enxada destruiu parte do telhado da “casa de santo”. Com a violação, o espaço sagrado da sacerdotisa ficou completamente molhado por dentro, tendo sua estrutura e simbolismo religioso deteriorados.

O ataque, que ocorreu recentemente, reforça uma preocupante sequência de episódios de racismo religioso no estado. As imagens do estrago mostram a violência do ato, que não se limitou à depredação física, mas atingiu diretamente a liberdade de crença e o direito ao culto das religiões de matriz africana.

Movimento cobra ação das autoridades

Diante do ocorrido, o Movimento Atitude Afro Pará informou que enviou um ofício à Secretaria de Segurança Pública (Segup) e ao Ministério Público do Pará, formalizando a denúncia contra o que classificou como "ato monstruoso". A entidade cobra respostas rápidas das autoridades e a responsabilização penal do agressor.

"É um ato monstruoso que se repete. Queremos respostas e que o criminoso seja penalizado conforme a lei. Não aceitaremos mais o silêncio diante da destruição do nosso sagrado", afirmou o movimento em nota de repúdio.

Histórico de ataques e políticas de proteção

Este não é um caso isolado no Pará. Dados da Secretaria de Estado de Igualdade Racial e Direitos Humanos (Seirdh) indicam que, apenas entre abril e dezembro de 2023, foram registrados pelo menos nove casos de racismo religioso no estado. Na ocasião, um terreiro de umbanda na mesma Ilha do Mosqueiro teve imagens de caboclos e orixás destruídas.

A Seirdh, criada em 2023 justamente para enfrentar esse tipo de violência, já manifestou apoio a vítimas de ataques anteriores e atua na articulação com o sistema de segurança pública. Um Comitê Permanente de Matriz Africana do Pará foi instituído no âmbito do Conselho Estadual de Segurança Pública (Consed) para implementar políticas específicas de proteção aos povos de terreiro.

Canais de denúncia

A Delegacia de Combate aos Crimes Discriminatórios e Homofóbicos (DCCDH) da Polícia Civil, localizada na Cidade Velha, em Belém, é o órgão especializado para registro desse tipo de ocorrência. Denúncias também podem ser feitas anonimamente pelos números 190 (Ciop) e 181 (Disque-Denúncia), ou diretamente à Seirdh.