Rombo do Banco Master será investigado até as últimas consequências, afirma Lula

Presidente afirma que governo está orientado a ir a fundo para desvendar maior rombo bancário do País: “Quem estiver metido nisso vai ter de pagar o preço da irresponsabilidade”

Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 07:53

(Presidente Luiz Inácio Lula da Silva) 
(Presidente Luiz Inácio Lula da Silva)  Crédito: Foto: Ricardo Stuckert - PR

O presidente Lula afirmou que o Brasil está diante de uma “chance real de pegar os magnatas da corrupção e da lavagem de dinheiro”, ao falar sobre o rombo do Banco Master. “É uma chance extraordinária. Não importa se envolve político, partido, governador, partido, bancos”, disse, em entrevista a Daniela Lima, na TV UOL. “Quem tiver metido nisso vai ter que pagar o preço da irresponsabilidade e dar um rombo, talvez o maior rombo econômico da história desse país.”.

Lula defende que as instituições da República precisam estar mobilizadas para “mostrar ao povo quem são os magnatas, que muitas vezes que ficam pintando na imprensa e dando palpites nas coisas de governo” e que podem estar atrás do rombo que traz ameaças à economia brasileira.

Não sei se tem partido político envolvido, não sei que governador está envolvido, se tem deputado, senador, ou prefeito, se tem mais empresários. O dado concreto é que a ordem é a seguinte: vamos investigar às últimas consequências, para nunca mais isso se repita”, ressaltou Lula.

Questionado sobre ter recebido o banqueiro do Banco Master, André Vorcaro, em seu gabinete, Lula afirmou que já recebeu muitos banqueiros, por ser seu papel, e que isso não significa proximidade, ao contrário, conforme explicou.

“Já recebi, neste mandato, Itaú, Bradesco, Santander, BTG, e quando não tinha uma agenda marcada comigo. Quando o Guido (Mantega) veio com o André Vorcaro a Brasília, eu chamei o (Gabriel) Galipolo (presidente do Banco Central), acho que o Rui Costa, que é da Bahia, que conhecia ele. E ele (Vorcaro) então me contou da ‘perseguição’ que ele estaria sofrendo, que tinha gente interessada em derrubar ele, que não sei das quantas”, relatou.

E prosseguiu afirmando que disse ao banqueiro que não haverá posição política pró ou contra o Banco Master, mas uma investigação técnica feita pelo Banco Central. "A política não entrará na investigação, o que vai entrar é a competência técnica do Banco Central para saber o que há de errado. Se você quebrou, se não quebrou, se tem dinheiro lavado ou não tem, e é isso que está sendo feito.”

Em seguida, o presidente afirma ter convocado o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente do Banco Central, para que relatasse à Procuradoria-Geral da República, o que pensavam da situação do Banco Master, “porque nós estávamos diante da primeira chance real de pegar os magnatas da corrupção”.

Lula defendeu ainda o ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que foi alvo de noticiário persecutório na imprensa pelo fato de seu escritório advogar na defesa no banco. “O Lewandowski é um dos maiores juristas que esse país já produziu. E todo e qualquer bom jurista é contratado por qualquer empresa que esteja com qualquer dificuldade. “Ele tinha deixado a Suprema Corte quando ele fez contrato para trabalhar no banco, quando eu o convidei para vir, ele saiu, não tem problema nenhum”, observou.

O que é importante ter claro é que nós vamos a fundo nesse negócio”, disse. “Nós queremos saber por que o governo do Rio de Janeiro, ou o Amapá, colocaram dinheiro do fundo dos trabalhadores nesse banco. Qual é a falcatrua que existe entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Quem está envolvido?”

Combate ao crime organizado

O caso do Banco Master foi utilizado pelo presidente como exemplo para citar o empenho do Governo do Brasil no combate ao crime organizado. Ao defender o emprego da inteligência e da ação integrada entre forças de segurança, federal e locais, e órgão de Justiça, Lula lembrou o impacto de operações, como Carbono Oculto, com apreensão de combustíveis e descoberta de bilhões de reais em fundos aplicados por facções em fintechs, não rastreáveis.

Citou os objetivos de seu governo de realizar ações integradas de inteligência inclusive com órgãos internacionais. E mencionou recente conversa telefônica com o presidente, na qual, além de tratar de assuntos como a soberania da Venezuela e a paz em Gaza, defendeu parcerias no enfrentamento ao crime organizado.

“Quando eu conversei com o Trump, eu falei: ‘Você está disposto a combater o crime organizado?’ Mandei para o Trump o material preparado pela Receita Federal, Ministério da Fazenda, Política Federal. Mandei mandei a relação de empresas (com ligação com facções), dos cinco navios que estão apreendidos aqui com 250 mil milhões de litros de gasolina”, descreveu.

E disse ter exposto ao presidente dos Estados Unidos: “São 200 pessoas que moram em Miami, se quiser combater o crime organizado, pode começar a me entregar esses. Mandei fotografia da casa e endereço”, revelou

E agora, quando eu for aos Estados Unidos (em março), eu quero levar o ministro da Justiça, o diretor-geral da Política Federal, o secretário da Receita Federal, o procurador-geral da República. Se quiser combater o crime organizado e o narcotráfico, o Brasil está aqui, na linha de frente.”

Com informações do Planalto